A
COMUNIDADE APOSTÓLICA
Art. 1º — A comunidade
21. Os Redentoristas, para
corresponderem a sua missão na Igreja, exercem a obra missionária de modo
comunitário. Pois, a forma apostólica de vida em comum abre, do modo mais
eficaz, o caminho para a caridade pastoral.
Por isso, para os Redentoristas é lei
essencial de sua vida: viver em comunidade e por meio da comunidade realizar o
trabalho apostólico. Por esse motivo, sempre se considere o aspecto comunitário
ao se aceitar um trabalho missionário.
A comunidade, porém, não é somente a
convivência material dos confrades, mas, ao mesmo tempo, comunhão de espírito e
de fraternidade.
22. A vida comunitária leva os
confrades a porem em comum, em fraterna e sincera convivência, à maneira dos
Apóstolos (cf. Mc 3,14; At
2,42-45; 4,32), orações e deliberações, dores e trabalhos, sucessos e
insucessos e também os bens temporais, a serviço do Evangelho.
As formas concretas dessa vida
comunitária devem ser harmoniosamente estabelecidas de acordo com as
necessidades da evangelização e as exigências da caridade fraterna, tendo-se
presente que o termo “comunidade” significa tanto a Congregação em sua
totalidade quanto a(Vice) Província ou a comunidade local ou pessoal.
Art. 2º — A presença de Cristo na comunidade
23. Chamados a continuar a
presença de Cristo e sua missão de redenção no mundo, escolhem os Redentoristas a pessoa de Cristo
como centro de sua vida. Esforçam-se por se unir sempre mais a Ele em comunhão
pessoal. Dessa maneira estarão o próprio Redentor e seu Espírito de amor
presentes no coração da comunidade, para formá-la e sustentá-la. Na medida em
que os confrades mais intimamente se unirem a Cristo, mais estreita será a
comunhão entre eles próprios.
24. Cultivarão o espírito de
contemplação, pelo qual cresce e se fortalece sua fé, para que participem
verdadeiramente do amor do Filho para com o Pai e para com os homens.
Desse modo tornar-se-ão capazes de
reconhecer Deus nas pessoas e nos acontecimentos da vida cotidiana; de perceber
em sua verdadeira luz o desígnio salvífico de
Deus e de discernir entre realidade e ilusão.
25. Serão dóceis ao Espírito
Santo, que sem cessar atua para
conformá-los a Cristo, de modo que aprendam a ter os mesmos sentimentos que
Cristo (cf. Fl 2,5ss.) e se revistam da mesma mentalidade (1Cor 2,16), que os
move interiormente à obra do apostolado através da variedade dos ministérios.
Pois diversos são os dons dos confrades e
das comunidades “conforme a medida do dom de Cristo” (cf. Ef 4,7), mas o Espírito é o mesmo (cf. 1Cor
12,4).
Art. 3º — A comunidade de oração
26. Os Redentoristas sem cessar
apliquem a si próprios a advertência de Cristo Redentor: “É preciso orar sempre
sem jamais esmorecer” (Lc 18,1), como faziam os discípulos da
primitiva comunidade eclesial, que “perseveravam na doutrina dos apóstolos, na
comunhão, na fração do pão e nas orações” (At 2,42) “perseverando unânimes na
oração com Maria Mãe de Jesus” (At 1,14).
Assim procurarão viver em si mesmos, com
todas as forças, o espírito de oração de Santo Afonso.
27. Encontrarão a Cristo
principalmente nos grandes sinais da salvação. Por isso sua vida comunitária
deve ser alimentada pela doutrina evangélica, pela sagrada liturgia e de modo
especial pela Eucaristia.
28. A Palavra de Deus é sustento
e vigor para a Igreja e para seus filhos força da fé, alimento da alma, fonte
pura e perene de vida espiritual.
Por isso, como ministros da revelação do
mistério de Cristo entre os homens, mantenham os Redentoristas assíduo contato
com essa palavra viva e vivificante e assimilem-na pela freqüente leitura
divina e pelas celebrações comunitárias para que imbuídos vitalmente pela fé,
tornem-se apóstolos mais eficientes para toda a obra boa (cf. 2Tm 3,17).
29. Encontram presente e vivem o Mistério de Cristo e da
salvação humana na liturgia, sobretudo na Eucaristia, a qual professam como
ápice e fonte de toda a sua vida apostólica e sinal de solidariedade
missionária.
Por isso, os sacerdotes darão prioridade
à celebração diária do sacrifício eucarístico. Mas os outros Redentoristas não
sacerdotes participarão todos os dias do sacrifício eucarístico, levando em
consideração as circunstâncias da vida e da atividade da própria comunidade.
30. Porque é próprio dos
Redentoristas viver e agir em comunidade, reunir-se-ão para orar em comum. Cada
comunidade encontrará as formas de oração comunitária, que deverão ser
aprovadas pelo Superior competente, que expressem a unidade dos confrades e
promovam sua atividade missionária.
Além da celebração litúrgica, isto é, da
Eucaristia e da Liturgia das Horas, têm os Redentoristas o direito e o dever de
dedicar todos os dias ao menos uma hora à oração. Essa oração pode se fazer em
particular ou em comum.
Determinarão os Estatutos gerais e
constará no horário de cada comunidade quantas vezes por dia devem os confrades
reunir-se para rezar em comum.
31. Para que participem mais
íntima e frutuosamente do sacrossanto mistério da Eucaristia
e da vida litúrgica, e para que se alimente mais abundantemente toda a sua vida
espiritual, os Redentoristas, tanto em casa quanto fora dela, darão a máxima
importância à oração mental (cf. Mt 6,6), a qual se orientará principalmente
para a contemplação dos mistérios da Redenção.
Os Estatutos gerais determinarão a
respeito dos exercícios espirituais a serem feitos.
32. Tomem a Bem-aventurada
Virgem como modelo e ajuda, Ela que, caminhando na fé e abraçando de todo o
coração a vontade salvífica de Deus, como serva do Senhor,
dedicou-se totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, serviu e continua a
servir ao mistério da redenção, socorrendo perpetuamente o povo de Deus em
Cristo. Honrem-na, pois, como Mãe, com piedade e amor filial.
Promovam com generosidade o culto,
principalmente o litúrgico, à Bem-aventurada Virgem Maria e celebrem com
especial fervor suas festas.
De acordo com a tradição afonsiana,
todos os confrades diariamente honrarão a Bem-aventurada Virgem. A todos recomenda-se a recitação do santo rosário, para que
com gratidão recordem e imitem os mistérios de Cristo, dos quais Maria
participou.
33. Empenhar-se-ão para
expressar em sua vida o zelo apostólico do Fundador, de acordo com as
necessidades de nosso tempo. Terão em máxima conta seu “sentir com a Igreja”,
como válido critério de seu serviço missionário.
Para tal fim esforcem-se por conhecer-lhe
a vida e usar com freqüência seus escritos.